CAPÍTULO 8
Aplicações de Robôs na Indústria.
Introdução.
Como já tem sido mencionado nos capítulos anteriores, os
robôs vem sendo aplicados na indústria em uma crescente variedade
de funções, as quais se mostram perigosas, entediantes e
fisicamente difíceis demais para serem realizadas por seres humanos.
Neste capítulo, serão descritas as mais comuns aplicações
industriais envolvendo robôs, onde, em cada exemplo, serão
discutidos o processo onde o robô é integrado e a sua adaptação
à tarefa a ser executada.
Os principais pontos aqui discutidos são: as principais
categorias de robôs, os principais tipos de aplicações,
características indispensáveis do robô,
características auxiliares e estágios
da seleção de robôs para aplicações industriais.
Principais Categorias.
No quadro a seguor, pode-se observar as principais categorias de aplicação
de robôs na industria, bem como as suas capacidades e principais
benefícios gerados pelo seu uso, principalmente em células
de trabalho ( ou de produção).

Em 1981 foram feitas estimativas, baseadas na situação
das indústrias dos EUA na época, sobre a distribuição
dos robôs dentro do conjunto de principais aplicações.
O qudro a seguir ilustra essa pesquisa. Quadro 2: Uso de robôs nos
EUA por aplicação
Fonte: Introduction to Robotics - Arthur J. Critchlow - pg. 29
Tipos de Aplicações.
Descreve-se a seguir algumas das principais aplicações dos
robôs na indústria: Carga e Descarga de prensa,
Fundição em Molde, Carga
e Descarga em Máquinas de Ferramenta, Solda
a Ponto, Solda em Arco, Pintura
a Spray, Montagem, Acabamento.
Carga e Descarga em Prensa
O processo de prensagem é uma operação usada para
dar forma e remodelar peças. A peça de trabalho é
posicionada em uma prensa, a qual exerce uma pressão externa sobre
a mesma, ou mesmo remove porções dela a fim de obter dela
uma nova forma. A transferência de pressão da prensa para
a peça de trabalho é realizada por um molde especial chamado
matriz, na qual a peça é colocada para assumir a sua forma.
Normalmente, a peça passa por um número variado de operações
de prensagem até receber sua forma final. A figura
1 mostra uma típica célula de trabalho para uma operação
de prensagem, onde o robô pega a peça bruta do alimentador
de peças e posiciona-a na prensa. Na figura 2
o robô transfere a peça da prensa para correias transportadoras
ou pallets, onde as peças acabadas são armazenadas. A figura
3 mostra um esquema, visto de cima, de um sistema de prensa semelhante.
Os robôs utilizados nesse processo possuem movimentos simples
e trajetória não muito importante, realizando funções
do tipo "apanhar e colocar", sendo assim do tipo "primeira geração".
No entanto, para diminuir o tempo gasto no processo e facilitar a tarefa
realizada, usa-se um braço com duas garras, uma para fase de carregamento
e outra para fase de descarga sobre correia transportadora ou pallets.

Fig.1: Robô pegando uma peça na prensa.
Fonte: Introduction to Robotics; Arthur J. Critchlow; pg. 382

Fig.2: Robô colocando uma peça no pallet.
Fonte: Introduction to Robotics; Arthur J. Critchlow; pg. 383

Fig. 3: Vista plana superior de um sistema de prensa.
Fonte: Robotics Training Prpgram - Test Book 1; Eshed Robotic; pg115
Os benefícios da integração do robô ao processo
de prensagem são:
-
redução de mão-de-obra;
-
aumento de produtividade;
-
significativa diminuição de acidentes;
-
melhoria nas condições de trabalho dos seres humanos, que
passam a supervisionar a produção das máquinas.
Há, no entanto, inúmeros problemas nessa integração
do robô ao processo, basicamente em casos onde o sistema falha, como
por exemplo quando a matéria-prima termina ou quando a peça
fica presa na matriz e o robô não é capaz de extraí-la.
Um meio utilizado para superar isso é o uso de sensores simples
no braço do robô, os quais informarão ao controlador
do robô a existência desses problemas, paralisando então
o mesmo e alertando o sistema supervisor.
Fundição em Molde.
Esta operação é realizada pela injeção
de uma matéria em sua temperatura de fusão dentro de um molde
especial, ou matriz. Dentro da matriz, o material esfria e solidifica,
tomando a forma do molde. A matriz então é aberta par se
extrair a peça fundida já endurecida. A peça pode
passar por uma prensa na sequência do processo para obter acabamento
antes de ser armazenada em pallets. O Material do molde deve ter um ponto
de fusão mais alto que o da matéria-prima, a qual geralmente
é plástico, chumbo ou alumínio. Alguns processos de
fundição incluem a inserção de porções
de outros materiais à porção fundida com a finalidade
de aumentar a capacidade mecânica do produto final.
Fig. 4: Célula de Produção de uma injetora / prensa.
Fonte: Robotics Training Prpgram - Test Book 1; Eshed Robotic; pg118
A figura 4 mostra uma célula de trabalho de fundição,
com um robô atendendo uma máquina de fundição
e uma prensa. Para evitar um mau funcionamento, o controlador do robô
é conectado à matriz da máquina de fundição
e à prensa. Ele supervisiona a duração das várias
operações, para manter o sincronismo dentro da célula.
Carga e descarga em Máquinas de Ferramenta.
Máquinas de Ferramenta são aquelas que realizam processos
de usinagem de peças, como por exemplo torneamento, desbaste, moagem,
etc. Antes da integração de robôs no processo, a introdução
de dispositivos CNC (Comando Numérico por Computador) reduziu a
necessidade de operadores hábeis em usinagem para a realização
apenas das atividades de carga e descarga das máquinas. Durante
muito tempo, o uso de robôs nessa atividade ficou reduzido por acreditar-se
terem custos muito elevados. Com os dispositivos CNC passando a realizar
atividades de ajuste de parâmetros das máquinas, de acordo
com o processo envolvido, e troca de ferramentas das máquinas, o
robô veio, após provar ter uma relação ótima
custo-benefício, a ocupar a posição de carga e descarga
das máquinas, deixando o ser humano com a função de
supervisão e reparos em peças danificadas. Assim, o robô
passou a ser integrado como parte de células de trabalho, servindo
várias máquinas de ferramentas, pallets e outras unidades
auxiliares de transporte. A figura 5 mostra uma célula de trabalho
(ou de produção) com robô atuando sobre dois tornos
e um moinho.

Fig. 5: Célula de Produção com robô atuando
sobre MF's.
Fonte: Robotics Training Prpgram - Test Book 1; Eshed Robotic; pg120
Para empregar-se robôs no processo de carga e descarga de algumas
máquinas de ferramenta, todas as operações, do robô
e das máquinas, devem ser precisamente temporizadas. Para isso,
a estação de trabalho é projetada para permitir o
posicionamento de todas as máquinas, alimentadores e pallets dentro
da área de atuação (ou de trabalho) do robô,
com um planejamento de todos os movimentos para se evitar colisões
com equipamentos vizinhos. Os robôs móveis são capazes
de alcançar e servir um grande número de máquinas.
Dessa maneira, para facilitar a operação, robôs são
instalados em trilhos suspensos, ao longo dos quais eles se movem, de máquina
para máquina. Um exemplo desse tipo de instalação
é mostrado na figura 6.
Fig.6: Robô suspenso em trilhos atuando sobre MF's.
Fonte: Robotics Training Prpgram - Test Book 1; Eshed Robotic; pg121
Solda a Ponto.
O processo de solda a ponto é difícil , monótono e
requer um alto grau de precisão. Assim, os robôs se mostram
ideais para serem integrados a esse tipo de processo, visto que seus movimentos
são altamente precisos e capazes de alcançar posições
difíceis, sem danificar as partes ou peças envolvidas. A
flexibilidade das estações de trabalho com robôs, permitindo
a armazenagem de diversos programas de solda para diferentes empregos de
produção, vem a ser um importante ponto de motivação
da integração de robôs no processo de solda a ponto.
O processo de solda é baseado num fluxo de corrente alta entre dois
eletrodos e através de dois pedaços de metal a serem unidos.
Quando a corrente flui, um grande calor é gerado no ponto de contato.
A pressão dos eletrodos é mantida por um curto tempo após
a corrente cessar seu fluxo, a fim de manter as partes de metal juntas
enquanto o ponto onde se realizou a solda resfria e se solidifica. Os eletrodos
não sofrem fusão durante o fluxo de corrente devido a um
fluido que flui através deles. A figura 7 mostra dois tipos de garras
(pistolas) de solda e demonstra o processo de solda a ponto de duas partes
metálicas.
Fig.7: Esquema de eletrodos para solda a ponto.
Fonte: Robotics Training Prpgram - Test Book 1; Eshed Robotic; pg122
A figura 8 mostra uma aplicação de ponto de solda na indústria
automotiva. Ela mostra um carro entrando no trilho de uma célula
de trabalho composta por vários robôs, de ambos os lados da
linha, com a função de realizar centenas de diferentes pontos
de solda no corpo do carro, em minutos. Hoje em dia, a indústria
automotiva utiliza mais robôs que qualquer outro tipo de indústria,
desempenhando várias funções, como soldagem, pintura
e operações na linha de montagem, possuindo cerca de 30%
dos robôs em operação no mundo.
Os robôs que realizam solda a ponto executam movimentos complicados,
tais como seguir contornos de peças e alcançar pontos inacessíveis
sem danificar as peças que estão sendo soldadas. Desta forma,
muitas aplicações de solda utilizam robôs com 6 GDL
(graus de liberdade) - três para posicionamento e três para
orientação ou postura em relação à peça.
Embora os movimentos necessários aos robôs de solda a ponto
sejam complicados, o único ponto que requer uma grande precisão
é o ponto onde a solda ocorre de fato, sendo assim possível
a utilização de controle ponto-a-ponto durante a trajetória
do robô entre os pontos de solda. Para se evitar colisões
entre o robô e as peças que estão sendo soldadas durante
o movimento deste entre dois pontos de solda, o robô é instruído
com um grande número de posições pelas quais ele deve
passar no seu percurso até o próximo ponto de solda. O ensino
de tarefas de solda a ponto é um processo complicado. O robô
deve ser manualmente transportado através de cada um dos centenas
de pontos de solda, devendo ser posicionado com uma precisão de
+/- 1mm. Como, em solda a ponto, os eletrodos devem estar perpendiculares
às peças, essa precisão se mostra ainda mais difícil
de ser atingida.
Fig.8: Desenho de uma linha de produção automotiva
realizando um conjunto de soldas a ponto.
Fonte: Introduction to Robotics; Arthur J. Critchlow; pg. 397
Numa linha de montagem automotiva, vários modelos diferentes
são produzidos, cada qual com diferentes séries de pontos
de solda, tornando o processo de ensino dos robôs envolvidos na realização
dos pontos de solda dos carros muito longo e cansativo. Esse processo pode
ser simplificado utilizando-se softwares capazes de alterar a orientação
de uma pistola de solda sem alterar sua localização no espaço.
Assim, permite que o atuador do robô, ou seja, a pistola de solda
(mostrada na figura 9), seja trazido ao local desejado e então realizar
a orientação desejada sem ter de corrigir as posições
de suas juntas.
Fig.9: Pistola de solda a ponto da Milco Manufacturing Company. É
acoplada ao braço do robô.
Fonte: Introduction to Robotics; Arthur J. Critchlow; pg. 399
As operações do processo de solda a ponto, integrando
o robô, são:
-
movimento rápido do braço do robô, com a pistola de
solda fixa, para se aproximar do ponto a ser soldado;
-
aproximação dos eletrodos da pistola de solda à ambos
os lados da parte a ser soldada e posicionamento destes exatamente em frente
ao ponto de solda;
-
fixação dos eletrodos ao ponto a ser soldado;
-
envio de corrente elétrica através dos eletrodos e do material
a ser soldado;
-
espera;
-
abertura dos eletrodos;
-
movimentação do braço do robô para se aproximar
do novo ponto de solda.
As principais vantagens envolvidas no uso de robôs em pontos de
solda são:
-
melhor qualidade da solda;
-
posicionamento preciso das soldas, assegurando resistência;
-
economia de mão-de-obra e tempo.
As principais desvantagens são as falhas que podem ocorrer no
processo devido à deterioração física dos eletrodos
e ao tedioso processo de ensino.
Solda em Arco.
A solda em arco é um processo usado para se unir duas partes de
metal ao longo de uma área de contato contínua. Nele, as
duas partes de metal são aquecidas ao longo da área de contato
até o metal fundir-se; ao esfriar-se, o metal fundido se solidifica,
unindo as duas partes.
Para criar uma corrente elétrica, dois eletrodos com diferentes
potenciais, alimentados pelo equipamento de solda, são necessários.
A pistola de solda em arco tem apenas um eletrodo, com o objeto a ser soldado
servindo como segundo eletrodo. Esse tipo de pistola é também
usada em alguns raros casos de solda a ponto. Os objetos de metal são
aquecidos por uma corrente elétrica, que flui através dos
eletrodos na pistola de solda e através de um vão de ar para
o objeto sendo soldado. Quando se usa um robô para realizar uma solda
em arco, a pistola de solda é fixada como atuador do mesmo e o eletrodo
é alimentado através de um cabo condutor paralelo ao braço
do robô. A pistola de solda também dispersa um gás
especial para prevenir a área aquecida contra a oxidação,
o que iria prejudicar a qualidade da solda. O processo de solda em arco
necessita do uso de robôs de alta qualidade com softwares sofisticados,
capazes de realizar as seguintes operações:
-
rápido movimento para a área de contato a ser soldada;
-
transmissão de sinais para causar a dispersão do gás
e aplicação de tensão ao eletrodo;
-
movimento preciso ao longo do caminho de solda enquanto mantém um
constante vão de ar;
-
preservar constante a orientação do eletrodo em relação
à superfície a ser soldada;
-
manter a pistola de solda se movendo a uma velocidade constante;
-
habilidade para realizar movimentos de "tecelagem", para se atingir uma
boa junção entre os dois corpos de metal e garantir a qualidade
da solda.
Para se encontrar os requisitos acima, o processo desolda em arco necessita
de robôs com as seguintes características:
-
cinco a seis graus de liberdade;
-
controle de trajetória contínua, para mover-se exatamente
ao longo da trajetótia de solda e regulagem de velocidade.
-
alta repetibilidade.
A figura 10 mostra um braço de robô realizando uma operação
de solda em arco.
Fig.10: Robô da Aronson Machine Company (Modelo CMB2) realizando
uma solda em arco.
Fonte: Introduction to Robotics; Arthur J. Critchlow; pg. 416
Os problemas resultantes da adaptação do robô à
solda em arco incluem: - o uso do método "TEACH-IN" na solda em
arco é um processo complicado, especialmente no caso de trajetórias
curvas;
-
o ensino de solda em arco por meio de métodos "TEACH- THROUGH" é
de difícil realização para o indivíduo que
move o braço manualmente ao longo da trajetória;
-
quando os corpos são aquecidos, ocorrem distorções
causando um ligeiro deslocamento da linha de união durante o processo
de solda, o que pode ser significativo em soldas longas onde o calor não
é dissipado rapidamente da área de solda.
O uso de um sensor para identificar a linha de união entre as
partes pode solucionar esses problemas, eliminando o estágio de
aprendizado. Assim, o sensor guia o braço do robô e seu atuador
(a pistola de solda) ao longo da linha de união através da
luz e do calor gerados no processo. A figura 11 mostra uma estação
de trabalho de solda em arco, mostrando componentes como "jigs" e "mesa
giratória indexada", usados para dar precisão ao posicionamento
das partes a serem soldadas.
Fig.11: Célula de Trabalho de Solda em Arco.
Fonte: Robotics Training Prpgram - Test Book 1; Eshed Robotic; pg129
Em suma, as principais vantagens do uso de robôs em solda em arco
são: - melhora da qualidade da solda em relação àquela
realizada pelo ser humano;
-
redução de horas de trabalho, especialmente quando a solda
é feita numa curta trajetória;
-
redução de custos, devido à pouca utilização
de mão-de-obra altamente especializada;
-
habilidade de trabalho contínuo, uma vez que os operadores humanos
devem descansar ocasionalmente, devido às condições
difíceis de trabalho.
-
melhoria das condições de trabalho do ser humano, que deixam
de trabalhar em altas temperaturas e de usar máscara e roupas protetoras.
Pintura a Spray.
O uso de robôs na pintura a spray consiste na fixação
de uma pistola de tinta spray ao atuador do robô. Tem como características
principais:
-
controle de trajetória contínua;
-
movimentos rápidos;
-
baixa repetibilidade: ensinado pelo método "TEACH-THROUGH" ou pelo
método "MASTER-SLAVE".
Na aplicação de tinta spray, a flexibilidade dos robôs
se torna evidente, os quais podem armazenar um programa específico
para cada tipo de parte a ser pintada. Muitos robôs utilizados nessa
aplicação não possuem sistema de sensoreamento. Isso
porque a parte a ser trabalhada é posicionada a uma dada distância
e direção da base do robô, podendo ser realizado em
objetos parados ou em movimento. No caso de objetos estáticos, o
robô começa a operação apenas depois de receber
um sinal confirmando que a parte a ser pintada está corretamente
posicionada. Quando trabalhando com objetos móveis, os robôs
recebem sinais do trilho usado para transportar as peças, sinais
estes que continuam sendo emitidos enquanto a peça estiver em movimento,
atualizando o robô acerca da distância e da direção
da peça em relação à base. As figuras 12 e
13 mostram robôs realizando pinturas a spray.
Fig.12: Robôs de Pintura numa linha de Produção
Automotiva.
Fonte: Introduction to Robotics; Arthur J. Critchlow; pg. 392
Fig.13: Robô atuando num arranjo de partes suspensas.
Fonte: Robotics Training Prpgram - Test Book 1; Eshed Robotic; pg.132
As principais vantagens da integração de robôs ao
processo de pintura a spray são:
-
rápido retorno de investimento;
-
melhoria das condições de trabalho do ser humano.
Os principais problemas são:
-
a necessidade de proteger os robôs de fumaça e sujeira;
-
a necessidade de se isolar qualquer faísca elétrica produzida
ao redor do robô durante sua operação, devido ao ambiente
de pintura ser altamente inflamável.
-
a necessidade de coordenação entre os movimentos do robô
e a localização das partes a serem pintadas;
-
o fato de que algumas operações com pintura a spray envolvem
áreas de difícil alcance. Em algumas aplicações,
os robôs devem ter mais que seis graus de liberdade para superar
obstáculos e alcançar áreas distantes.
Montagem.
Montagem significa pegar peças separadas, colocá-las juntas
e então uní-las. Na montagem pode se exigir o uso de garras
e ferramentas especiais. Por exemplo, os robôs poderiam executar
tarefas de montagem - primeiro usando garras para trazer peças e
colocá-las em um lugar - e, em seguida, usar ferramentas especiais
para fixá-las, como rebitadeiras ou grampeadores.
Os robôs que atuam nestas operações são de
grande importância pois aproximadamente 40% do custo da mão
de obra vem da montagem. As operações de montagem que envolvem
os robôs não são muito simples, mas são relevantes
devido principalmente a redução de custos da produção.
Para alguns problemas devem ser representadas soluções, tais
como:
-
alto grau de precisão e repetibilidade no posicionamento do atuador;
-
movimentos em linhas precisas, mantendo fixa a orientação
do atuador;
-
troca automática de atuador ou uma garra versátil;
-
movimentos rápidos do braço do robô.
A precisão teve ser mantida na orientação do atuador
para assegurar que a parte montada está segura com o ângulo
correto, o que não é fácil de se obter. Em muitas
operações de montagem elementos de diferentes tamanhos e
formas e são montados num elemento central. De tal forma que o atuador
do robô deve ser capaz de manusear objetos assimétricos ou
mudar as garras no meio de uma operação. Para isso pode-se
usar um trocador de ferramentas automático, que é muito recomendável
em casos onde um elemento é trabalhado pelo robô ao invés
de simplesmente manuseado, como numa chave de fenda automática.
As velocidades empregadas podem ser maiores do que as requeridas na maior
parte das aplicações industriais podendo ser comparadas às
de montagens manuais. Robôs mais rápidos reduzem o tempo de
montagem, entretanto, o movimento do braço durante a montagem não
podem ser feito em velocidades máximas, pois implica em perda de
precisão. Os métodos de montagem se dividem em duas categorias:
-
montagens na direção vertical;
-
montagens em diferentes direções.
A primeira requer robôs cartesianos,
cilíndricos ou articulados
horizontalmente com quatro ou cinco graus de liberdade. No Japão
utiliza-se ao invés de apenas um robô para executar muitas
tarefas, várias máquinas com um a três movimentos,
o que é desvantajoso apenas pela perda de flexibilidade em relação
aos sistemas que empregam robôs com poucos graus de liberdade e podem
facilmente ser convertidos para montar novos produtos. A figura 14 mostra
uma estação de montagem onde o robô pega elementos
de uma esteira e de um alimentador e coloca três diferentes elementos
juntos para serem montados. A operação é mostrada
na figura 15.

Fig. 14 - Estação de montagem
Fonte: Robotics Training Prpgram - Test Book 1; Eshed Robotic; fig. 8.10

Fig. 15 - Exemplo de montagem
Fonte: Robotics Training Program - Test Book 1; Eshed Robotic; fig. 8.11
Uma maneira de aumentar a precisão dos robôs é instalar
um dispositivo remoto central de verificação (RCC) perto
da articulações do punho do robô, como na figura 16.
Neste exemplo o robô impreciso leva a cavilha ao orifício
com orientação errônea. A orientação
das forças nos pontos de contato causam movimento da garra em relação
ao braço do robô. A figura 17 mostra a estrutura de um dispositivo
remoto central de verificação.

Fig. 16 - Uso do dispositivo remoto central de verificação
Fonte: Robotics Training Prpgram - Test Book 1; Eshed Robotic; fig. 8.12

Fig. 17 - Estrutura do dispositivo remoto central de verificação
Fonte: Robotics Training Prpgram - Test Book 1; Eshed Robotic; fig. 8.13
Os robôs até agora não adquiriram a combinação
de boa visão, tato, destreza e mão multi-dedos que montagens
complexas requerem. Hoje, robôs de montagem trabalham melhor os produtos
especialmente projetados para fácil montagem. Isto significa minimizar
o número de peças, utilizar movimentos simples, facilitar
a colocação de peças na posição relativa
correta, fazer peças facilmente alinháveis e encaixáveis.
Para solucionar p
Próximo capítulo
Em caso de dúvidas, entre em contato
com o professor da disciplina
Prof. Marcelo N. Franchin
franchin@bauru.unesp.br
atualizado em quarta, 24 de agosto de 1999 por Marcelo
Franchin.